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Celebração de 25 de dezembro

  • Foto do escritor: ICE JG
    ICE JG
  • 18 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Este breve artigo não tem por propósito promover debates irrefletidos, tampouco desaprovar ou recriminar aqueles que pensam de modo diverso; foi escrito, antes, com a intenção de suscitar reflexões honestas acerca do movimento celebrativo do dia 25 de dezembro, renovado a cada ano. O debate sobre a origem e a legitimidade da celebração do Natal acompanha a história do cristianismo há séculos e continua despertando interesse entre estudiosos e fiéis. Ao investigar esse tema, torna-se evidente que o nascimento de Jesus é, de fato, narrado nas Escrituras, mas não há qualquer instrução bíblica que estabeleça a comemoração anual desse evento, tampouco a indicação de um dia ou mês específico para tal celebração. A Bíblia relata a alegria dos anjos e a visita dos pastores ao recém-nascido em Belém, porém permanece silenciosa quanto à instituição de um aniversário litúrgico para Cristo, especialmente na data de 25 de dezembro. A análise histórica demonstra que os primeiros cristãos, sobretudo nos dois primeiros séculos, não tinham o costume de celebrar aniversários. Autores cristãos antigos, como Irineu, Tertuliano e Orígenes, mencionam diversas festas cristãs em seus escritos, mas não fazem qualquer referência à celebração do nascimento de Jesus. Pelo contrário, há registros de críticas explícitas à prática de comemorar aniversários, vista como um costume pagão associado a excessos e a valores incompatíveis com a piedade cristã primitiva. Essa postura ajuda a explicar por que não existem evidências sólidas de uma celebração do Natal antes do final do terceiro ou início do quarto século. As primeiras menções históricas mais claras à celebração do nascimento de Cristo em 25 de dezembro surgem apenas no século IV, especialmente em Roma, em calendários e documentos litúrgicos datados de aproximadamente 336 d.C. Esse dado é relevante porque coincide com festivais pagãos já consolidados no Império Romano, como as festividades em honra a Saturno e Mitra, associadas ao solstício de inverno. Diversas enciclopédias históricas indicam que a escolha dessa data provavelmente teve relação com esses costumes pré-existentes, num contexto em que o cristianismo passava a ocupar espaço público e institucional no império. Outro elemento frequentemente citado nesse debate é a figura de Sexto Júlio Africano, escritor do início do século III, a quem alguns atribuem o cálculo do nascimento de Jesus a partir de uma suposta data de concepção em março. No entanto, uma análise mais cuidadosa dos fragmentos atribuídos a ele mostra que tais conclusões são, em grande medida, conjecturais. Seus escritos preservados concentram-se em cronologias amplas e cálculos de anos, sem indicar explicitamente o mês ou o dia do nascimento de Cristo. Além disso, os textos chegaram até nós de forma fragmentada, por meio de autores posteriores, o que levanta questionamentos legítimos sobre sua confiabilidade como base para a definição de uma data litúrgica. Diante desse panorama, a história revela que o Natal, tal como é conhecido hoje, não fez parte da prática da Igreja primitiva e se desenvolveu gradualmente ao longo dos séculos, especialmente a partir do século IV. Isso não significa que todos os cristãos devam adotar uma mesma postura diante da data, mas ajuda a compreender que a não celebração do Natal possui fundamento histórico e não pode ser automaticamente associada à heterodoxia ou à negação da fé cristã. O estudo das origens do Natal convida, portanto, a uma reflexão mais consciente, informada e respeitosa sobre tradição, história e liberdade de consciência dentro do cristianismo.

 
 
 

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